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Micro Blog
20 jun 2011
POR: Mundo Sustentável
CATEGORIA: Microblog
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Sustentabilidade na escola

Já reparou que quando o assunto é educação tudo no Brasil é urgente? Salários dignos para os professores, escolas bem aparelhadas, universalização digital etc. Educação é um raríssimo consenso nacional e, apesar disso, a impressão que fica é a de que os avanços, embora existam, se diluem frente a tantas demandas urgentes. Tão preocupante quanto a extensa lista de […]

Já reparou que quando o assunto é educação tudo no Brasil é urgente? Salários dignos para os professores, escolas bem aparelhadas, universalização digital etc. Educação é um raríssimo consenso nacional e, apesar disso, a impressão que fica é a de que os avanços, embora existam, se diluem frente a tantas demandas urgentes.

Tão preocupante quanto a extensa lista de prioridades – o que deveria inspirar um grande projeto nacional apartidário e de longo prazo - é reconhecer que os debates sobre modernização dos conteúdos pedagógicos ficam invariavelmente em segundo plano. Uma escola descontextualizada de seu tempo, encapsulada nas rotinas burocráticas que apequenam sua perspectiva transformadora, está condenada ao marasmo que entorpece sua história e o seu legado. É uma escola que não consegue mobilizar professores, alunos e a comunidade ao seu redor em torno de objetivos comuns que emprestem sentido à existência da própria instituição.

Qual a função social da escola num mundo que experimenta uma crise ambiental sem precedentes na história da Humanidade? Nossa capacidade de redesenhar o modelo de desenvolvimento e construir uma nova cultura baseada em valores sustentáveis depende fundamentalmente da coragem de mudar o que está aí. Que ajustes poderiam ser aplicados à grade curricular tornando essa escola mais apta a preparar esses jovens para os imensos desafios que temos pela frente? Que novos gêneros de informação deveriam mobilizar a comunidade escolar na busca por respostas para questões pontuais sobre as quais não é mais possível negar a importância ou a urgência do enfrentamento? Como preparar essas novas gerações para um mundo que projeta um futuro difícil e extremamente desafiador em função das mudanças climáticas, escassez de água doce e limpa, produção monumental de lixo, destruição sistemática da biodiversidade, transgenia irresponsável, crescimento desordenado e caótico das cidades, entre outros fatores que geram desequilíbrio e instabilidade?

O mundo mudou e a educação deve acompanhar as mudanças em curso. Nossa espécie é responsável pelo maior nível de destruição jamais visto em nenhum outro período da história e, se somos parte do problema, devemos ser parte da solução. Mas não há solução à vista sem educação de qualidade e urgente que estabeleça novas competências, novas linhas de investigação científica, um novo entendimento sobre o modelo de desenvolvimento em que estamos inseridos e a percepção do risco iminente de colapso. Precisamos promover uma reengenharia de processos em escala global que inspire novos e importantes movimentos em rede. Isso não será possível sem as escolas.

A escola de hoje deve ser o espaço da reinvenção criativa, um laboratório de ideias que nos libertem do jugo das “verdades absolutas”, dos dogmas raivosos que insistem em retroalimentar um modelo decadente. Pobres dos alunos que passam anos na escola sem serem minimamente estimulados a participar dessa grande “concertação” em favor de um mundo melhor e mais justo. Quantos talentos adormecidos, quanto tempo e energia desperdiçados, quanta aversão acumulada ao espaço escolar justamente pelo desinteresse brutal e legítimo da garotada a algo que não lhes toca o coração, não lhes instiga positivamente o intelecto, não lhes nutre o espírito? Qual o futuro dessa escola? São cadáveres insepultos.

Uma escola que use a sustentabilidade como mote desse revirão pedagógico amplo e inovador terá como princípio ético a construção de um mundo onde tudo o que se faça, onde quer que estejamos, considere os limites dos ecossistemas, a capacidade de suporte de um planeta onde os recursos são finitos. Temos ciência, tecnologia e conhecimento para isso. Novas gerações de profissionais das mais variadas áreas serão desafiados a respeitar esse princípio sem prejuízo de sua atividade fim. Tudo isso poderia ser resumido em uma palavra: sobrevivência. A mais nobre missão das escolas no século XXI será nos proteger de nós mesmos. Ainda há tempo.

 

André Trigueiro


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13 Comentários

  • ambiente

    muito legal

  • joyce

    gostei do site

  • Marilane

    André!
    Admiro seu trabalho há anos e este texto que só li hoje, só reafirma esta admiração. Estou há 20 anos na Educação como psicóloga desenvolvendo projetos de ecologia humana e acredito nesta escola transformadora que você propõe. Obrigada por tudo o que vem realizando! Abraços, Marilane.

  • Wasteriza Mayara

    “A mais nobre missão das escolas no século XXI será nos proteger de nós mesmos”.Essa frase define bem o que a escola deveria ser e deverá ser. Cabe as escolas nos reeducarmos,pois estamos num processo de transição para uma Terra melhor. E a escola, nesse processo, é muito importante para as crianças, jovens e adultos. Quanto ao ensino religioso nas escolas, acredito que o ideal é apresentar aos estudantes as diferentes e principais religiões, focando os ensinos de Jesus,pelo menos a parte moral.
    Tive uma professora que sempre a admirei,hoje ela é dona da melhor escola que há em minha cidade.Mas fiquei triste ao saber que ela proibio o estudo do capitulo do livro que falava sobre Kardec e espiritismo. Espero que um dia possamos despertar para o amor, pois amando não prejudicaremos mais nosso planeta.
    Um abraço e obrigada pela atenção!

  • Fernanda

    Oi Andre! Sou, cada vez mais, uma grande fã do seu trabalho. Assisti uma palestra sua, na Federação Espírita, no lançamento do seu livro aqui em Curitiba, o que me fez repensar alguns valores e também sobre consumismo. Infelizmente, esse é um vício que ainda tenho… Nunca vou esquecer sua expressão “house tur”. Fantástica!! Estava procurando algum material sobre sustentabilidade e escola, pois estudo Pedagogia e vim parar nesse texto maravilhoso! Ja compartilhei no Facebook e todo mundo está curtindo! Parabéns!!

  • Sidcley Pereira Paulino

    Seu texto que foi reproduzido no Portal Onda Jovem, me chamou muita a atenção.
    Um despertamento na verdade sobre o futuro escolar!

    Sou um educador por propósito e voluntário em palestras sobre o universo desconhecido dos adolescentes.
    Falo sobre bullying, sustentabilidade, política, etc.

    Link para o artigo publicado: http://www.ondajovem.com.br/noticias.asp?idnoticia=9398

  • Andrea

    Olá,
    adorei suas palavras e convicções. Sou professora da rede pública de São Paulo e luto para mostrar aos alunos a importância de uma vida mais sustentável e que todos nós somos responsáveis pelo mundo melhor que desejamos. Sinto que luto sozinha, pelo menos na escola que trabalho, mas não irei desistir, pois também concordo que é na escola que deveria começar mudanças de atitudes em relação à preservação do planeta. Ainda há tempo, concordo plenamente. E é com uma escola mais responsável pela formação deste cidadão que precisamos contar.
    Um abraço,
    Andrea

  • wellington balbo

    Meu caro, somos companheiros de ideal. Também sou espírita. Seu artigo é primoroso e aborda tema capital. Não há como construir uma sociedade melhor e mais justa sem a participação ativa da escola. Mudanças são necessárias. E como você disse: Ainda há tempo. Se viajarmos no tempo perceberemos que destruimos o planeta em poucos séculos, pois a industrialização (não que seja ruim), começou a pouco tempo e levou-nos a esse caos, patrocinado pela nossa ânsia em consumir desmedidamente. É óbvio que as razões não são apenas estas, porém, reflitamos. Abraço. Wellington

  • Rogério

    Olá André!
    Está convidado a conhecer a Escola Municipal João Brazil, no Morro do Castro, na divisa Niterói-São Gonçalo (www.empfniteroi.blogspot.com).
    Abraços

    • André Trigueiro

      Olá!

      Obrigado pelo convite. Tenho a convicção de que, por estarem me chamando, há algo na escola que guarda sinergia com o artigo. Fico antecipadamente feliz por isso.
      Um abraço e boa semeadura.

      André

      • sarah camargo

        e ai andre bom texto em

  • Lisa Tassi

    A verdade absoluta é exatamente o significado de KRISHNA, ou DEUS, e a meu ver é isso que falta nas escolas e em todos os espaços onde se ignora que somos uma alma espiritual. O mundo material perturba a todos, muito embora todos gozem intensamente de seus sentidos. Vejam a ciência da auto-realização (do mestre Srila Prabhupada). A meu ver, as escolas deveriam ensinar “técnicas agrícolas” e “trabalhos manuais” a todas as crianças, para compreenderem o valor do trabalho e das coisas que consomem. Vida simples e pensamento elevado! Abraços!!

    • André Trigueiro

      Lisa:

      O Estado é laico e deve continuar sendo. O ensino religioso em escolas públicas deveria contemplar as principais tradições espirituais sem o viés proselitista. É a minha posição embora eu seja espírita cristão.

      Um abraço e obrigado,

      André

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