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Micro Blog
14 mar 2012
POR: Mundo Sustentável
CATEGORIA: Microblog
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Rio+20: ruptura ou ajuste? | Revista GQ

Se você entende que há alguma razão para a mudança, manifeste-se. A Rio+20 é uma obra em construção. Ainda há tempo.

 

Diante do risco de a mais importante conferência do ano se transformar em uma “terapia de grupo”, onde o falatório e a papelada possam resultar em um novo acordo político genérico, convém prestar atenção desde já no posicionamento dos diferentes segmentos que marcarão presença na Rio +20.

Reunidos na PUC-RJ durante a conferência, aproximadamente 500 cientistas deverão compartilhar novas avaliações sobre o estado de fragilidade e degradação dos ecossistemas que  fornecem água, matéria-prima e energia à humanidade. De lá deverá surgir mais um grito de alerta em favor da vida sem nenhuma conotação política ou religiosa. Quem usa a ciência para medir os estragos causados pelo atual modelo de desenvolvimento é basicamente um cético: se orienta apenas e tão somente pelas evidências que a metodologia científica lhe revela.

Os povos indígenas causarão enormes constrangimentos aos organizadores da Rio+20. Representantes das etnias que sobreviveram a sucessivos massacres no Brasil e no exterior denunciarão o absurdo do uso insustentável da terra.

Os empresários engajados exibirão os resultados contábeis da ecoeficiência e assumirão novos compromissos em defesa da inovação tecnológica e da redução do desperdício. Haverá entre eles os que fazem maquiagem verde (falam de “sustentabilidade”, mas não praticam), os neo-convertidos, que ajustaram procedimentos mais por conveniência (do que por convicção) e os que, de fato, estão convencidos da necessidade de mudanças e conseguem enxergar mais além do lucro imediato.

A constelação das ONGs deverá confirmar o tamanho e a diversidade das múltiplas correntes de pensamento que não cabem na moldura da ONU, mas que emprestam densidade e legitimidade a uma das pautas mais importantes da Rio+20: governança. Os tomadores de decisão já reconhecem a força do terceiro setor num mundo onde as articulações em rede robustecem a democracia, oxigenam as instituições e promovem a transparência e a justiça.

Caberá às organizações civis e às mídias (todas as mídias, de todos os tamanhos) aquecer a panela de pressão onde os chefes de estado vão cozinhar o texto final da Conferência. Sem isso, será mais do mesmo. Obnubilados pelos afazeres e interesses mais imediatos, de curtíssimo prazo, os chefes de estado não conseguirão justificar mudanças estruturais de longo prazo sem que haja uma boa razão para isso. Se você entende que há alguma razão para a mudança, manifeste-se. A Rio+20 é uma obra em construção. Ainda há tempo.

 

 

André Trigueiro

Artigo publicado na edição de março 2012 da Revista GQ

 

 

 


10 Comentários

10 Comentários

  • jacilene C. França

    Gostaria de saber se a Rio+20 é aberto ao público, se for eu gostaria de participar, pois estou cursando o primeiro período de gestão ambiental e no momento eu estou desempregada. Um forte abraço à todos

  • GUERRA, Francisco

    Sou um grande admirador do seu trabalho como repórter (Jornal das Dez – sem sua presença não é mais o mesmo) e, particularmente em Cidades e Soluções. Ver o seu entusiamo falando do meio ambiente.
    Sempre que tenho oportunidade, falar sobre o tema, acho empolgante.
    Parabéns

  • Moraes

    Eu fico pensando em como será o mundo depois de algumas décadas. Infelizmente a minha visão do futuro não é favorável. Acredito que não sou o único, somos muitos, mas esses muitos ainda são poucos para mudar um planeta inteiro.
    Temos que nos manifestar mesmo, divulgar tudo o que puder sobre o assunto. Conscientizar uma nação não é fácil. Vamos trabalhar nisso.
    Parabéns André pelos esforços, por todos os esforços.
    Abraço

  • miquelina

    André,assisti sua palestra sobre TEDxBAIADAILHAGRANDE-ANDRÉ TRIGUEIRO,você falou muito bem,é preciso rever projetos,é preciso refazer as contas,ESSE LUGAR É ABENÇOADO NÃO PODEMOS SER REFÉNS,DIGO É ASSIM QUE estamos em GALINHOS(RN)REFÉNS DE INTERESSES,que estão como deuses,decidindo o futuro de um povo,já castigado,devido,a um grande crime ambiental,ocorrido em 1986,Julio Pinheiro fez uma matéria com Iglesias saiu no jornal local,Tribuna do Norte e têm como título DESASTRE EM GALINHOS NA DÉCADA DE 80 FEZ UM PREJUÍZO DE 120 MI DE DOLÁRES,Galinhos(RN)não suportaria mas,nenhum impacto,mas,está muito ameaçado,se continuar assim vai sumir do mapa,como se fosse atingindo por um TSUNAMI DE FALTA DE VISÃO E SENSIBILIDADE POR PARTE DE TODOS QUE QUEREM CONTINUAR,EXPLORANDO E RETIRANDO TUDO DESSA POPULAÇÃO,ATÉ O DIREITO,Á VIDA,FALTA RESPEITO AO POVO,AOS PESCADORES E MARISQUEIRAS,ameaçados de extinção,é a pesca artesanal,a atividade turística que gera renda,e nada parece que interessa,só os empreendimentos,ninguém refens as contas,por isso somos,reféns,o povo de Galinhos pede ajuda e o meio ambiente grita,agoniza,e quem precisa ver e proteger e recuperar o meio ambiente,nada faz,MEU DEUS QUE MUNDO É ESSE,O TSUNAMI ESTÁ CHEGANDO MAS,TODOS ESTÃO CEGOS.

  • Olga Bon

    André, faço parte do projeto Rio Eco Moda. Um evento que busca promover a moda sustentável, e tem como parceiro o Instituto Doe Seu Lixo e como madrinha a atriz Isabel Filardis. Gostaria de saber se você poderia me dar seu contato, pra que eu possa lhe enviar o projeto. Gostaria muito que fizesse parte de nossa mesa-redonda.

  • Silvia Steinberg

    O Rio de Janeiro é no momento um grande Canteiro de Obras. No mundo inteiro obras monumentais imortalizam governantes e populações urbanas experimentam o que até pouco tempo era afeito a populações indígenas ou rurais – o desmantelamento de suas relações sociais e produtivas.

    Se a maioria dos empreendimentos promete ostentar um selo de sustentabilidade quando estiver operando, a totalidade ou quase isso sequer tenta responder de forma coerente à minimização dos impactos sociais durante sua execução e menos ainda se ocupa da preservação ambiental.

    A sustentabilidade e a inclusão social não estão em pauta na construção civil, não interessam aos projetistas, são ítens risíveis para as grandes fortunas proprietárias dos novos empreendimentos. Pouco ou nada interessam aos governantes a vocação de um determinado local que pode ser minada na sua essência pela imposição de novos usos, sempre impondo a migração dos nativos,
    só que desta feita, nativos urbanos. Há excessões, apenas para confirmar a regra.

  • Adriana M. Moellmann

    Enquanto a urgência da mudança não vier do coração do povo, nenhuma Rio+ terá razão de existir.Enquanto o homem não enxergar na natureza a sua fonte de vida não há razão para mais uma Rio+.

  • Romualdo Pizzi

    André, talvez devemos ir mais longe, o Planeta precisa urgentemente de parar com os desmatamentos e recuperar o mais rápido possível o que foi destruído, além disso os responsáveis terão que falar com muita responsabilidade o problema da desertificação no mundo que é grave, os problemas sociais, formas adequadas de produzir alimentos, o perigo dos agrotóxicos e Transgênicos e vai por aí, porque se ficarmos só na “Economia Verde”
    a Rio+20 será uma grande perda de tempo.

    • miquelina

      A Economia Verde,precisa ser algo real,forte,transformador,nascer 1ºdentro de cada um de nós a consciência da necessidade de participação,quando nos sentimos ameaçados,o nosso instinto de sobrevivência fala mais alto,é preciso coragem,mudar hábitos errados de uma vida,só mesmo sob intensa pressão,mas,existem meios de despertar essas mudanças,conscientizando e valorizando a importância da familia(base de tudo),educar nossos filhos através do exemplo,pessoas com sabedoria de vida fazem isso há muito tempo,vamos oferecer a informações,capacitando todos,população,estudantes,valorizando á dona de casa,ofertando cursos,dando incentivos a sociedade civil e portunidades através do conhecimento,nas igrejas juntos com as pastorais,associações,cooperativas,escolas,postos de saúde,bibliotecas,conselhos comunitários,conselhos em geral,envolver todos e mostrar a importância da união de todos pra preservação da vida,da preservação de nossa espécie,pois continuando assim destruindo sem recuperar sem preservar nosso povo,nosso meio ambiente,nenhum desenvolvimento acontece sem seres humanos,por mais que o homem tenha se deixado robotizar ainda é ser humano,feito de carne e osso,matéria de fácil decomposição,vamos mudar esse quadro é possível,se reagirmos e tomarmos atitudes em prol da qualidade de vida,pra todos,teremos um amanhã,o tsunami está em nossa porta,precisamos agir e renovar forças e construir mutirões pela vida,ação gera reação.

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