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10 mar 2016
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Oxigênio

A poluição na China pode parecer um problema distante e os chineses estão sofrendo para que nós tenhamos cada vez mais o que consumir. O nosso conforto tem um preço.

 

Por Taiga Corrêa Gomes, jornalista pela PUC-Rio, mestrado em comunicação e especialização em Sociologia, Política e Cultura

Fonte: TokyoRio

 

Depois de quatro dias em Pequim, a primeira coisa que fiz quando cheguei em Tóquio foi respirar fundo. Faça isso também agora. Respire fundo. O ar limpo é um privilégio.

Conheci uma Pequim cinza e sufocante. Minha sensação foi como estar dentro de uma nuvem seca e suja. Persistente, toma conta de toda a imensa cidade e se espalha por dezenas de quilômetros. Meu sonho em conhecer a muralha da China ficou manchado de fuligem. Esperava ver a monumental construção a se perder no horizonte, cobrindo a sequência de montanhas.

Na capital, mesmo com níveis estratosféricos de poluição a maioria dos chineses anda sem máscaras. Eles acreditam que o corpo se adapta ao ambiente, e essa ilusão é muito perigosa. Falta informação em um país sem imprensa livre.  Uma ditadura comunista difícil de definir, porque produz bilionários que fizeram explodir o mercado de alto luxo. Mas eles não me interessam.

Quem me interessa é cada um dos inocentes chineses sem máscaras, pertencentes a um povo que desenvolveu uma medicina holística, que cuida da saúde para evitar a doença. Um povo que produz tantos chás curativos, que cultiva o ginseng. Dá vontade de chorar ao ver que esse povo respira veneno.

Essas fotos mostram como estava a capital chinesa nesse começo de março de 2016. O aplicativo que baixei no celular descreve a qualidade do ar. O nível vermelho, de perigo, alerta para o risco de sérios problemas de saúde. Crianças devem ficar dentro de casa, o uso de máscaras é recomendado para quem sair.

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A poluição na China pode parecer um problema distante, mais ainda para meus leitores que estão no Brasil. A energia produzida com a queima de combustíveis fósseis do outro lado do mundo abastece a fabricação de grande parte dos produtos que consumimos, sabemos disso. Mas muitas vezes essa é uma verdade que não é encarada de frente como o são os nossos problemas do dia a dia. Para quem respira um ar puro todos os dias e vive em um paraíso natural (apesar de tão maltratado), a poluição de Pequim está lá longe. Mas a humanidade é uma só. Me coloquei no lugar de cada um dos chineses que observei, tentei sentir um pouco o que eles sentem, não quero nunca mais esquecer o sufocante e venenoso ar de Pequim. Eles estão sofrendo para que nós tenhamos cada vez mais o que consumir. O nosso conforto tem um preço. Não só a ser cobrado no futuro, pelas próximas gerações. Mas a cada inspiração dessas pessoas que não conhecemos, mas que devem ser lembradas por nós sempre.

Fiz um vídeo para tentar mostrar para vocês a inocência e ternura dos chineses que encontrei. Fiquei especialmente comovida durante um passeio ao templo do céu (Tiantan).

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Postado por Daniela Kussama