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Micro Blog
6 ago 2016
POR: Mundo Sustentável
CATEGORIA: Destaque, Microblog
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Foi um caos o primeiro dia de funcionamento do Parque Olímpico

Entrada no parque e alimentação colapsaram

 

Foi um caos o primeiro de dia de funcionamento pleno do Parque Olímpico. Fui com minha família assistir à primeira disputa (individual e por equipes) da ginástica artística masculina. Saímos cedo de casa para poder estar na arena antes das 10:30h da manhã. Nenhum problema na conexão da Linha 4 com o BRT até o local dos Jogos.

Mas quando chegamos nos deparamos com imensas filas que não andavam. Não havia sinalização adequada nem voluntários em número suficiente para atender a multidão. O que parecia ser a entrada principal, era o acesso das pessoas credenciadas. Sem orientação, parte do público que já estava atrasada para assistir a algumas das modalidades, resolveu invadir o acesso restritos aos credenciados. Houve tumulto. Não havia segurança (acredite, não havia segurança na entrada do Parque Olímpico pela manhã), os ânimos estavam exaltados e quando um fura-fila passou por um grupo que esperava a vez foi agredido. Se não fosse a turma do “deixa disso”, a briga teria desdobramentos ainda mais lamentáveis.

Muitos turistas estrangeiros estavam abismados com a falta de organização. A dificuldade com o idioma tornava a situação ainda mais difícil para eles, e mesmo os brasileiros não imaginavam que isso pudesse acontecer em um evento tão caro e exaustivamente planejado (foram nove anos preparando a Olimpíada, correto?).

Quando chegamos na Arena, ela estava praticamente vazia. A maior parte do público ainda estava do lado de fora na confusão. O evento começou portanto sem que a maioria do público estivesse presente para ver a exibição de gala de Artur Zanetti, o primeiro a se apresentar, e de outros astros da modalidade. Simplesmente lamentável.

Quase três horas depois, quando o show dos melhores ginastas do mundo terminou, outra confusão teria início. A imensa praça de alimentação (situada numa estorricante ilha de calor no coração do Parque Olímpico) reunia milhares de pessoas em múltiplas filas que igualmente não andavam. Mais uma vez faltava informação, sinalização e voluntários (ou funcionários) treinados e devidamente posicionados.

O que fazer quando se está com muita fome? Esperamos duas horas em pé, debaixo de sol, em duas filas: uma para comprar o tíquete, outra para trocá-lo pela refeição. Quem tinha cartão Visa podia realizar a compra do lanche com operadores que ficavam fora do guichê. Mas pasmem: o rolo de papel das maquininhas acabava rápido e eles saíam correndo pelo parque para buscar mais papel (?!). Pessoas de idade passavam mal. Crianças choravam. O sol do Rio, mesmo no inverno, é inclemente. Foi um suplício.

Na hora de finalmente trocar o tíquete pelo almoço, era preciso esperar a fornada. O estande das massas (pizza ou pasta) só conseguia lançar 42 pratos por vez, com intervalos de 15 ou 20 minutos. Quando finalmente chegou a nossa vez, recebemos os nossos 4 pratos (penne com molho de tomate) e 4 refrigerantes. Ah, esqueci de dizer quanto custou: 120 reais!!!

Famintos, nos dirigimos aos ombrelones que não davam vazão pra tenta gente em busca de uma sombrinha. Abrimos as embalagens e percebemos rapidamente que no fundo do potinho onde serviram o penne, blocos de massa congelada permaneciam duros como pedra. Ou seja, um lanche caríssimo, mal servido, e sem graça. Tente entender: quando se tem fome e não há opções, a tendência é relevar o assalto. Mas a indignação é inevitável, e atrapalha a digestão.

Antes que alguém ponha a culpa no “primeira dia de funcionamento do Parque Olímpico”, quero dizer que já testemunhei outros primeiros dias de funcionamento em inúmeros megaeventos (incluindo Copas do Mundo e Olimpíada) e nunca vi nada parecido.

Repito: nunca vi nada parecido.

Hoje foi um dia inesquecível: testemunhamos em doses proporcionais a suprema beleza dos melhores ginastas do planeta e o caos absoluto resultante da incompetência e descaso dos organizadores dos Jogos.

Que no resto da Olimpíada prevaleça a beleza. E o respeito com o público pagante.

 

 

André Trigueiro

 

 

 

 

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