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22 ago 2016
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Qual o impacto do aquecimento global nos Jogos Olímpicos do futuro?

Segundo estudo sobre o clima, poucas cidades do hemisfério norte terão temperatura média inferior a 26 ºC em agosto, considerada de ‘baixo risco’ para competições ao ar livre

 

Por Ana Freitas

Fonte: Nexo

 

Em 2085, apenas 33 cidades do hemisfério norte do planeta terão, no mês de agosto, uma temperatura média amena o suficiente para hospedar os Jogos Olímpicos sem oferecer risco à performance dos atletas.

A previsão é do estudo “The Last Summer Olympics? Climate change, health, and work outdoors” (“A última Olimpíada de Verão? Mudança climática, saúde e esforço ao ar livre”), publicado em agosto de 2016 no diário científico “The Lancet”, que leva em conta as mudanças climáticas do planeta.

A temperatura é um fator chave na performance de atletas. Altas temperaturas podem afetar os resultados de esportistas de todas as modalidades, mas os mais afetados são os corredores, especialmente os maratonistas.

A maratona de Chicago de 2007, por exemplo, foi cancelada no meio depois que centenas de corredores precisaram receber atendimento médico em razão do calor. Em Los Angeles, em 2016, 30% dos corredores não terminaram as eliminatórias olímpicas para a maratona por causa da temperatura: 25,6 ºC.

O calor acelera a desidratação, aumenta a frequência cardíaca e diminui o fluxo sanguíneo para os músculos. É por isso que delegações de alguns países decidiram chegar com algumas semanas de antecedência ao Rio – a ideia era ambientar os atletas e treinar já nas novas condições, para garantir adaptação.

Por isso, as temperaturas médias das cidades que hospedam eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas são um elemento levado em consideração pelos atletas e seus treinadores. O Rio, por exemplo, tem temperatura média de 19ºC em agosto.

Como o aumento da temperatura muda o mundo

A maioria dos cientistas já concorda que o aquecimento global é inegável. No entanto, há diferentes modelos de projeção para o aumento das temperaturas. Um deles, por exemplo, prevê um aumento de 5º C a 6º C na temperatura média da Amazônia até 2100.

Parece pouco. Mas essas mudanças geram alterações enormes e resultados em cadeia em todo ecossistema do planeta: falta ou excesso de chuvas, aumento de desastres naturais – como furacões – e extinção de fauna e de flora.

Além disso, há os impactos sociais. De acordo com o documento, o risco para todo tipo de trabalho e esforço ao ar livre vai aumentar na medida em que a temperatura subir. E mais da metade da força de trabalho no mundo é exercida ao ar livre, principalmente em construção civil e agricultura.

Além dos impactos na produtividade e na saúde desses trabalhadores e da necessidade de mudar o processo de produção nesses tipos de trabalho, é possível prever também – de acordo com os pesquisadores – um impacto em eventos esportivos.

As Olimpíadas são apenas um dos eventos que podem ser impactados pelo aumento da temperatura – “mas são icônicas e a competição esportiva mais prestigiada e inclusiva do mundo”. Por isso, os pesquisadores usaram os Jogos como referência para o material.

 

 

Os Jogos Olímpicos e o aquecimento global

As projeções de aumento de temperatura e de umidade foram feitas usando dois modelos climáticos separados. Foram levados em conta apenas os países do hemisfério norte, cujo verão acontece em agosto.

Além disso, foram analisadas apenas cidades com mais de 600 mil habitantes. Os cientistas consideraram que 26º C de temperatura média na sombra era o máximo para garantir risco baixo para os atletas de provas olímpicas, enquanto as cidades que atingissem máxima de 28º C seriam consideradas de risco médico.

De acordo com as projeções, apenas oito cidades fora da Europa ocidental se encaixarão na perspectiva de risco baixo para sediar as Olimpíadas em 2085. Na Europa ocidental, apenas 25 cidades atingiriam esses critérios.

As projeções para o século seguinte, a partir de 2100, embora sejam ainda mais incertas, sugerem que as únicas cidades com mais de 600 mil habitentes do hemisfério norte que terão temperatura média máxima de 26º C em agosto serão Belfast e Dublin, na Irlanda, e Edinburgo e Glasglow, na Escócia.

O paper sugere ainda que essas mudanças influenciarão a maneira como os Jogos serão organizados e planejados – talvez alguns esportes tenham que concorrer em espaços fechados. “Se os melhores atletas do mundo vão precisar ser protegidos do calor, que diremos nós?”, conclui o estudo.

 

 

 

Postado por Daniela Kussama