
André Trigueiro, do "Cidades e soluções",
em estante é de madeira de demolição
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Enxergando além das boas idéias
Lilian Fernandes
http://publique.rdc.puc-rio.br/clipping/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=16698&sid=19
Na casa de André Trigueiro, os móveis são
de madeira de demolição. O carro ele não lava,
para não gastar água. Responsável pelo premiado
“Cidades e soluções”, da Globo News, o
jornalista tornou-se referência quando se trat a de questões
ambientais. Coordenador do livro “Meio ambiente no século
21”, autor de “Mundo sustentável” e professor
do curso de jornalismo ambiental da PUC-Rio (criado por sugestão
dele), Trigueiro contou ao GLOBO que já foi convidado para
falar de meio ambiente até em missa de domingo. E topou.
O GLOBO: Como você começou a se interessar
por ecologia?
ANDRÉ TRIGUEIRO: Tenho clara na memória
a Rio-92. Estava cobrindo os eventos paralelos fórum global,
no Aterro. Havia ONGs do mundo todo; o Dalai Lama estava lá;
vi um canadense de 9 anos fazer um discurso sobre a água.
Aquilo tudo mexeu comigo. Percebi que o assunto não tinha
dono. Vi que não se podia pensar em meio ambiente como bichinho
e floresta. Era preciso discutir um projeto de civilização,
um modelo de desenvolvimento. Terminava o expediente e ficava lá,
xeretando. Comecei a procurar cursos, pessoas e livros. Hoje recebo
convites inusitados, mas recompensadores, como o de um padre de
Itaquera (SP) que me botou para falar de meio ambiente durante a
missa de domingo. Também falei para 200 detentos do Rio que
vão fazer curso técnico de reflorestamento.
Em casa, que atitudes você toma em defesa do meio
ambiente?
TRIGUEIRO: Quando eu e minha mulher fomos comprar
móveis para a sala, eu perguntava: “Qual a origem da
madeira?”. Optamos por madeira de demolição.
Sai mais caro, mas essa madeira, antes de vir para cá (aponta
sua estante), não era árvore.Uso lâmpadas fluorescentes.
Meu automóvel é motor flex, mas só boto álcool,
porque aprendi com o pessoal da Coppe (instituto de engenharia da
UFRJ) que, embora ele também polua, quando você planta
de novo a cana, seqüestra o carbono.Em vez de manter os aparelhos
eletrônicos da minha casa em stand-by, comprei um filtro de
linha e deixo tudo desligado: economizo 20% de energia. Os livros
que eu lancei são de papel reciclado. Uso máquina
de lavar uma vez por semana. Não lavo meu carro: se tem estiagem,
ele fica sujo. Outro dia, vi da janela um car a perseguindo uma
folha de amendoeira com uma mangueira: me controlei para não
me meter. Nessa área ambiental, a gente fica chato.
O “Cidades e soluções” foi uma
evolução natural dessa sua preocupação
ambiental?
TRIGUEIRO: Fiz um “Cidades e soluções”
em 2004 e, agora, a série. A gente não mostra boas
idéias, mas boas práticas. Em outubro de 2006, fizemos
uma edição com o tema neutralização
de carbono e decidimos neutralizá-la. Este ano, todos os
programas passaram a ser neutralizados.A rodoviária Novo
Rio encomendou o projeto de um sistema de coleta de água
da chuva depois de ver um programa; o senador Tião Vianna
fez um projeto de lei inspirado no programa “Compras públicas
sustentáveis”; uma professora de Novo Hamburgo (RS)
me mandou textos que seus alunos fizeram a partir do programa.
O que você acha do tratamento dado aos problemas
ambientais na televisão?
TRIGUEIRO: A gente ainda não descobriu
um tratamento à altura dos problemas ambientais.No futuro,
acho que esta questão estará na ficção
da mesma forma que outros temas atuais, como a violência.
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